sexta-feira, 21 de março de 2008

Pesquisa desenvolve plástico de mandioca


A preocupação com o meio ambiente está fazendo com que pesquisadores busquem novas formas de produção de plástico, que substitua a produção a partir do petróleo, um recurso não renovável e que polui o meio ambiente. Uma das matérias-primas que poderiam fazer essa substituição é justamente o amido de mandioca, e foi com esse produto que pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo desenvolveram um filme plástico.


A pesquisa tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), sendo coordenada pela Prof. Carmen Cecília Tadini, do laboratório de engenharia de alimentos do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP. Em janeiro de 2006, Cynthia Ditchfield, pesquisadora do laboratório, assumiu o projeto como parte de seu pós-doutorado na Poli/USP.

O produto foi projetado para ser utilizado em embalagens, é biodegradável, comestível e tem propriedades antibacterianas, podendo mudar de cor de acordo com o estado de conservação do produto.

“As diferentes fontes de amido proporcionam propriedades diferentes aos filmes e interagem com os aditivos de maneira diferenciada, o que torna importante o estudo de cada tipo”, afirma. Pesquisas internacionais utilizam, por exemplo, amido de batata, milho, arroz e trigo em embalagens biodegradáveis.

Segundo Marney Pascoli Cereda, pesquisadora do CeTeAgro (Centro de Tecnologias para o Agronegócio), em seu artigo Bioplásticos de amido: um mercado de futuro, “a produção de materiais biodegradáveis poderia, com certa facilidade, preencher o mercado de embalagens biodegradáveis de qualquer tipo de uso”.

O processo de produção das embalagens consiste primeiramente na pesagem e mistura dos ingredientes (amido, açúcares, e outros aditivos) com água. Após essa fase, a mistura é aquecida para “gelatinizar” o amido, formando uma espécie de mingau que é espalhado em placas de plástico e seco em estufa de um dia para o outro. “Forma-se assim um filme plástico que pode ser utilizado em embalagens”, explica Cynthia.

Pode-se produzir plástico a partir de diversas outras fontes, mas uma das vantagens da produção de plástico a partir de amido de mandioca é a de agregar valor a um produto nacional importante. “Uma das principais vantagens do amido é que ele tem menor custo em relação às outras matérias-primas. Para o Brasil é vantagem pensar no amido de mandioca por conta da abundância e do baixo custo”, afirma a pesquisadora.

O projeto proposto está em andamento, já tendo sido desenvolvido um produto que precisa ser melhor caracterizado e aprimorado. “Os resultados obtidos são promissores, mas necessitam ainda de mais desenvolvimento”, ressalta. Cynthia acredita que à medida que a produção de plástico a partir do amido de mandioca se tornar mais forte haverá um incentivo para o aumento da produção de mandioca, que será utilizada como matéria-prima.

A “idéia original” do projeto chegou à Poli/USP com Priscila Veiga dos Santos, hoje professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela estudou as propriedades de embalagens biodegradáveis com amido de mandioca e aditivos em seu doutorado, na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma vez o Brasil é o segundo maior produtor mundial de mandioca. O tema estendeu-se para o seu pós-doutorado na Poli/USP, resultando na proposta de um projeto para produção de embalagens à base de amido de mandioca, açúcares e outros aditivos.


Raquel Bazzo


Fonte: Projeto Mandioca Brasileira
Contato (imprensa@natural.agr.br)



Fonte: www.abam.com.br

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